Por Gilberto Natalini
O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, publicou o Decreto nº 64066, de 14/02/2025, que cria a Comissão Construindo Uma Cidade Sustentável para tratar da Sustentabilidade e da COP-30 na Cidade.
Posteriormente, a Portaria nº 68, de 19 de fevereiro de 2025, assinada pelo secretário José Renato Nalini (SECLIMA), regulamentou o decreto e nomeou os integrantes da comissão. O grupo é composto por quatro secretários municipais (SECLIMA, Governo, Verde e Meio Ambiente e Relações Internacionais) e dois representantes: um da sociedade civil e um do meio acadêmico.
Tive a honra de ser convidado para integrar a comissão como representante da sociedade civil, em nome da AFPESP, por indicação do presidente dr. Artur Marques. O professor Marcos Buckeridge, do Instituto de Estudos Avançados da USP, representa o meio acadêmico.
A COP-30, que ocorrerá em novembro de 2025, em Belém do Pará, tem relevância estratégica para a formulação de proposições e a implementação de ações frente às mudanças climáticas.
Os eventos climáticos extremos têm se intensificado em todo o planeta. Ondas de calor intensas, chuvas torrenciais, secas prolongadas, desertificação, incêndios florestais, aumento de doenças infecciosas e cardiovasculares, elevação do nível do mar e prejuízos à produção agrícola são cada vez mais frequentes, impactando o meio ambiente, a economia e a qualidade de vida.
A preservação das florestas e da cobertura vegetal desempenha um papel fundamental no equilíbrio climático, assim como a transição energética, o uso responsável dos recursos naturais e o consumo sustentável. Essas são as principais estratégias para mitigar e prevenir os efeitos do aquecimento global.
As cidades – nas quais vive a maioria da população mundial – desempenham um papel fundamental tanto na geração quanto na mitigação dos impactos climáticos. São Paulo, a maior cidade do Brasil e a quinta maior do mundo, tem uma influência significativa nesse contexto. Sua função é sensibilizar os paulistanos para todas essas questões e organizar as opiniões, propostas e condutas práticas para a COP-30.
O município tem um histórico de iniciativas climáticas pioneiras, como a criação do Plano do Clima (Planclima), da Secretaria Executiva do Clima (Seclima) e a aprovação da Lei Municipal de Mudanças Climáticas em 2009. Destacam-se ainda políticas como a eletrificação da frota de ônibus urbanos, a expansão de parques naturais e a utilização de água de reúso para a limpeza das ruas.
Entretanto, a cidade também enfrenta desafios expressivos, resultantes de seu crescimento acelerado, desigualdade social e uso do solo desordenado. Neste sentido, a criação da Comissão "Construindo uma Cidade Sustentável para tratar da Sustentabilidade e da COP-30 na Cidade" representa uma importante oportunidade para mobilizar a população, ampliar o conhecimento sobre as ações já em andamento e identificar medidas adicionais necessárias para o desenvolvimento sustentável de São Paulo.
A interação entre sociedade civil e poder público é essencial para conhecer melhor o que a cidade já está fazendo (o que não é pouco), e o que precisa fazer, (que ainda é muito), para tornar São Paulo uma Cidade resiliente e sustentável.
Tarefa nobre, gigante, desafiadora e apaixonante. Vamos a ela!
Gilberto Natalini é coordenador de Meio Ambiente da AFPESP, médico gastrocirurgião e ambientalista. No setor público destacou-se como secretário do Verde e do Meio Ambiente e secretário executivo de Mudanças Climáticas da cidade de São Paulo. Eleito vereador de São Paulo pela primeira vez em 2000, cumpriu o seu quinto mandato até 2020. É autor de 419 projetos de leis e tem 147 leis aprovadas. Suas principais bandeiras de vida são a democracia, o desenvolvimento sustentável, maior equidade social e a moralidade pública.