Por Gilberto Natalini
No Dia Mundial da Água, celebrado em 22 de março, é essencial refletirmos sobre a importância desse recurso vital e os desafios globais que enfrentamos para preservá-lo.
A água é um bem finito e essencial para a vida, mas sua disponibilidade está cada vez mais ameaçada por uma série de problemas ambientais e humanos. A poluição, o desperdício, a superexploração dos recursos hídricos e as mudanças climáticas estão colocando em risco o acesso à água potável para bilhões de pessoas em todo o mundo.
Fonte: Anderson Piza / iStock
Um dos exemplos mais preocupantes é o Aquífero Guarani, uma das maiores reservas de água doce subterrânea do planeta, que abrange partes do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. Apesar de sua imensa importância para o abastecimento de milhões de pessoas, o aquífero enfrenta sérios desafios, como a contaminação por agrotóxicos, a superexploração e a falta de gestão integrada entre os países que o compartilham. Além disso, fenômenos globais como a desertificação e o degelo agravam a crise hídrica.
Na China, por exemplo, a desertificação avança rapidamente em regiões como a Mongólia Interior, transformando solos férteis em áreas áridas, enquanto o degelo das geleiras do Himalaia ameaça o abastecimento de água para bilhões de pessoas que dependem dos rios alimentados por essas fontes.
No estado de São Paulo, os desafios relacionados à gestão dos recursos hídricos permanecem significativos. A contaminação das águas do esgoto doméstico ainda é um problema grave, com aproximadamente 70% do esgoto sendo tratado. Rios como o Tietê, apesar dos contínuos esforços de despoluição, ainda sofrem com a carga orgânica e química proveniente do esgoto não tratado, comprometendo a qualidade da água e a saúde da população. Além disso, a crise climática tem intensificado seus efeitos nos últimos anos, alterando os padrões de chuva e causando eventos extremos.
Em 2023, o Brasil passou por uma seca severa, especialmente no Sudeste e Sul, afetando gravemente a agricultura e o abastecimento de água em várias cidades. No mesmo ano, o estado do Rio Grande do Sul sofreu com enchentes devastadoras, que deixaram várias cidades inundadas, pessoas desabrigadas, perdas materiais significativas e, infelizmente, muita mortes.
A combinação de períodos prolongados de seca seguida por chuvas intensas dificulta o planejamento hídrico e aumenta a vulnerabilidade das comunidades.
Esses eventos mostram a urgência de se adotar políticas de resiliência climática e de melhorias na infraestrutura de saneamento, para mitigar os impactos das mudanças climáticas e garantir a segurança hídrica no futuro.
Diante desse cenário desafiador, a AFPESP se destaca por suas ações concretas e responsáveis na gestão dos recursos hídricos em suas unidades de lazer. A associação realiza mais de 300 análises de água por ano, garantindo que a água consumida e utilizada em suas instalações esteja sempre dentro dos padrões de qualidade e segurança. Além disso, a AFPESP gerencia de forma sustentável diversos recursos hídricos, incluindo 30 poços artesianos, 13 cursos d'água, 11 lagos, 10 nascentes, 2 fontes e um sistema de água de reúso proveniente de Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs). Essas práticas não só garantem o abastecimento sustentável, também contribuem para a preservação dos ecossistemas locais.
No que diz respeito ao tratamento de esgoto, a AFPESP trata anualmente 75.768.000 litros de esgoto, volume equivalente a 30 piscinas olímpicas, em unidades localizadas em Serra Negra, Amparo, Areado, Socorro, Maresias, São Pedro e Avaré. Essa iniciativa é crucial para reduzir o impacto ambiental e proteger os corpos hídricos, especialmente em um contexto onde a poluição por esgoto doméstico ainda é um problema significativo.
No Dia Mundial da Água, é importante reconhecer iniciativas como as da AFPESP, que mostram como é possível conciliar o lazer e o bem-estar com a preservação dos recursos naturais.
A associação serve como um exemplo de como organizações podem adotar práticas sustentáveis para garantir um futuro mais equilibrado e consciente para todos. Em um mundo onde a água está cada vez mais escassa, ações como essas são fundamentais para proteger esse recurso essencial para a vida.
Gilberto Natalini é coordenador de Meio Ambiente da AFPESP, médico gastrocirurgião e ambientalista. No setor público destacou-se como secretário do Verde e do Meio Ambiente e secretário executivo de Mudanças Climáticas da cidade de São Paulo. Eleito vereador de São Paulo pela primeira vez em 2000, cumpriu o seu quinto mandato até 2020. É autor de 419 projetos de leis e tem 147 leis aprovadas. Suas principais bandeiras de vida são a democracia, o desenvolvimento sustentável, maior equidade social e a moralidade pública.